Sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Varre, varre, vassourinha...varre, varre, varredor

Varre, varre, vassourinha, varre, varre, varredor...

 

 

Vassouras à beira da estrada, para vender.

Uma das coisas que impressiona em terras macuas é o chão impecávelmente varrido à volta das palhotas nas aldeias do mato.

Todos os dias é tudo varrido.

Era assim no meu tempo e continua ainda hoje a ser usada esta vassoura.

Com ela varrem oa palhota e o terreno à volta.

Varrem tudo, até as memórias e os sonhos.

Todos os dias varrem e todos os dias é preciso varrer.

 

Vive-se um dia de cada vez...

 

 

O Varredor
Nelim Monti

Logo que inicia o dia
O Varredor está a varrer a praça
Calado vai varrendo...
Levando lembranças
Amores vividos
Pesando os gestos
Medindo os momentos
Olhando em tudo, sente que varre
Sonhos jurados
Alguns quais pedaços do céu pôr terra caído.

Varre tudo...
Levando lembranças
Amores vividos na praça
Em todos os bancos frios.
Em toda parte.

Varre folhas caídas
De uma página de amor morta
Em que o enredo se truncou.

Continua varrendo...
Flores murchas, pálidas
Que entre nuvens de amores
Os casais se encontravam

Varre a terra que outros amores pisaram
Varre até a casca da cigarra.
Que abrindo-se em cantigas,
Clamando ao céu e a terra seus amores
Só restou a casca...

Varre tudo...tudo...
As folhas, as flores, a casca, a lembrança,
o tempo e também o momento do seu
próprio passar.


 


publicado por mokala às 01:25
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Segunda-feira, 27 de Julho de 2009

"Uma janela para o passado" ou "Janela do tempo"

 

 

UMA JANELA PARA O PASSADO

Janela aberta é saudade.
Quem se debruça sobre ela
Sabe e sente
Que tem olhos no passado
E o corpo no presente.

JJLeandro

 

Escolhi estes dois poemas e esta foto com estas janelas que muito marcaram a minha juventude.

A janela que está aberta foi a minha janela.

 

"Por que é que a gente
quando se cansa,
e se estressa com o mundo real
Só quer abrir uma janela
para a infância?"

CNSV - Nampula

 

Janela do tempo de Roberta Tum

 

Olhei a tarde pela janela
cheia de água
suspensa em densas nuvens

Olhei a vida pela janela do tempo
cheia de lágrimas
que derramei por ela

Olhei o tempo à minha volta
e o tempo do coração
querendo apenas
chá quente com bolachas
como nas tardes
chuvosas de antigamente

Por que é que a gente
quando se cansa,
e se estressa com o mundo real
Só quer abrir uma janela
para a infância?
aquela cercada de menos mal

Olhei o tempo pela janela
E a vida já ia tarde...
a passar por ela

sinto-me:

publicado por mokala às 00:14
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Domingo, 26 de Julho de 2009

Paredes (graffitis)

Duas paredes do Bar do carlos em Nampula.

No meu tempo este edificio era a minha Escola (ETE).

Escola Técnica Elementar que funcionava no Edificio do Colégio Dantas.

Hoje é um Bar onde existem estas bonitas pinturas que faço acompanhar de um poema dedicado aos graffitis em geral.

Não sei porquê, mas até gosto desta maneira de manifestar as ideias através da arte visual e até tenho encontrado autênticas obras de arte.

 

 

paredes…

altares de gritos,
desordenados graffitis
de caracteres e letras...

memórias cravadas,
raivas pintadas,
cores dispersas,
diversas,
repúdios, apelos,
murmúrios…

paredes…

cansadas, magoadas,
com riscos, com traços,
grafias,
com imagens, fantasias…

paredes...

rostos urbanos,
danos,
onde o aviso é mensagem
e a arte tem cor
no canto da vida…
 

Poema de João Videira Santos (luso poemas)

 

 

 


publicado por mokala às 18:07
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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009

O amor é a fruta da época durante todo o ano...

 

Em Nampula uma banca de frutas à beira da estrada ao alcance de qualquer um.

É só parar, ver e comprar.

Depois deliciar-se com os sabores tropicais destas frutas que são como o amor, deliciosamente saborosas e saciantes.

 

 

O amor é a fruta da época durante todo o ano, e está ao alcance de qualquer mão.(Madre Teresa)

 

Tu, bem como todas as pessoas no Universo, merecem o teu amor e afecto.(Buda)

 

 

 


publicado por mokala às 23:52
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Gente que passa

 

 

 Gente que passa e outra que fica parada

É assim nas ruas de Nampula e zonas limítrofes.Sempre gente, muita gente.

E eu a pensar o que é que esta gente anda mesmo a fazer(?) trabalhar? feirar? passear?

Fazer o que?

Certo é que a toda a hora e instante do dia ou da noite há gente a passar e ...outra que fica parada...

 

 

 

Gente que fica parada e outra gente que fica olhando....

 

 

é assim numa cidade, é assim em muitas cidades...

é assim (infelizmente) em muitos lugares...

 

 Gente que passa

 

Gente que passa, passando pela vida,
pisando, que passa zombando, que passa
e trucida, que passa e estilhaça.
Gente que passa, pensando que passa
e não passa…
não passa pela vida
trapaça.

Gente que passa, passando pela vida
dorida, as pernas tremendo, os olhos
gritando, os nervos gemendo.
Gente que passa, pensando que passa
e não passa…
não passa pela vida
fracassa.

Gente que passa pela vida como quem
passa pela minha vidraça.
Gente que passa pela vida sofrimento
embebido em cachaça.
Gente que passa, fingindo que passa,
que jura que passa,
e não passa.

Luís Eusébio


publicado por mokala às 09:39
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Terça-feira, 21 de Julho de 2009

Mandioca e chima

Quando cheguei aqui à machambinha de mandioca das Irmãs cresceu-me a àgua na boca.

 

 

Mandioca crua (em pau)

Claro que comprámos na paragem numa aldeia.

Foi uma maravilha...

 

 

Consolei-me com a Chima de mandioca.

Em Nacaroa, no Monapo, na Praia das Chocas qualquer delas a melhor.

Acompanhada de caril, de peixe (seco) com manga seca ou mesmo com achar de manga ou limão...vos digo que é uma delícia...é um prato para todos os acompanhamentos.

Adorei, adorei...

 

Esta foi a Chima que todos comemos em casa do Paulo Cruz em Nacaroa, além de mais iguarias deliciosas (feijão juco por exemplo)

 

Chima de mandioca

 

INGREDIENTES:

Meio litro de água
200 grs de farinha de mandioca
sal q.b.

 

PREPARAÇÃO:

Mistura-se a farinha de mandioca com a água e um pouco de sal num tacho.
Leve o tacho a lume médio, mexendo sempre até cozer ( 10 minutos).
Fica espesso.
É um bom acompanhamento para carnes e peixe com molho.


publicado por mokala às 22:58
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Domingo, 19 de Julho de 2009

"Amam-me demasiado as coisas de que me lembro" - "Raiz de orvalho" de Mia Couto

Hoje apeteceu-me ler este poema, talvez porque, como diz Mia Couto "Amam-me demasiado as coisas de que me lembro..."

 

 

Raiz de Orvalho
 
Sou agora menos eu
e os sonhos
que sonhara ter
em outros leitos despertaram
 
Quem me dera acontecer
essa morte
de que não se morre
e para um outro fruto
me tentar seiva ascendendo
porque perdi a audácia
do meu próprio destino
soltei ânsia
do meu próprio delírio
e agora sinto
tudo o que os outros sentem
sofro do que eles não sofrem
anoiteço na sua lonjura
e vivendo na vida
que deles desertou
ofereço o mar
que em mim se abre
à viagem mil vezes adiada
 
De quando em quando
me perco
na procura a raiz do orvalho
e se de mim me desencontro
foi porque de todos os homens
se tornaram todas as coisas
como se todas elas fossem
o eco as mãos
a casa dos gestos
como se todas as coisas
me olhassem
com os olhos de todos os homens
 
Assim me debruço
na janela do poema
escolho a minha própria neblina
e permito-me ouvir
o leve respirar dos objectos
sepultados em silêncio
e eu invento o que escrevo
escrevendo para me inventar
e tudo me adormece
porque tudo desperta
a secreta voz da infância
 
Amam-me demasiado
as cosias de que me lembro
e eu entrego-me
como se me furtasse
à sonolenta carícia
desse corpo que faço nascer
dos versos
a que livremente me condeno
 

 


publicado por mokala às 23:49
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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Matope

 

Este é o verdadeiro matope.

Quando chove nesta região da terra vermelha é assim...estradas enlamaçadas, cheiro a terra molhada, marcas no chão barrento e muitas emoções na estrada.Ziguezagues, enterradelas, lama, mais lama, matope até dizer chega.É assim quando chove.

Lembrei o meu Land Rover e as mil aventuras a caminho da Missão da Carapira, as idas de fim de semana à machamba do Namarral, à Praia das Chocas etc etc...


publicado por mokala às 01:13
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Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Há pensamentos que são orações.

"Há pensamentos que são orações. Há momentos nos quais, seja qual for a posição do corpo, a alma está de joelhos."

Victor Hugo

 

Nestes sítios e lugares todo o pensamento é uma oração.

Igreja de Meconta

 

Igreja da Missão da Carapira

 

Igreja da Missão de Netia

 

Capela da Paróquia de Nampula

 

 

Capela da Praia das Chocas

 

Igreja do Lumbo

 

 


publicado por mokala às 00:05
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Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

Baía do mar das 7 cores - Nacala

Já ouvi não sei a quem que lhe chamariam o Mar das 7 cores a este mar de Nacala.

Não as contei para confirmar se seriam mesmo 7 cores ou mais...mas que nos encheu o olhar, ai isso encheu....

 

 

NACALA

Ali, que Deus gigante e luminoso
salpicou de estrelas a baía?
Ali, onde buscava o meu repouso,
no mar bebendo o sonho e a fantasia!

Dos cantos ao luar, do sol radioso,
do bruhaha do cais, da maresia,
guardo no peito amargo e desditoso
esta minha sofrida nostalgia.

Vindas de lendas antigas e singelas,
nas nuvens, nos vapores, transmudadas
eu via rutilantes caravelas.

Que eu sabia de moiras encantadas
e sabia o segredo das estrelas
nas águas da baía semeadas.

 

de Abdul Cadre

 


publicado por mokala às 01:24
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