Domingo, 13 de Maio de 2012
Que Mar é este.
 

 
Que mar é este


Que mar é este, que mar
Que me ondula a razão
Faz o meu corpo vibrar
E palpitar o coração

Que mar é este, docinho
Que me deixa a navegar
Nas ondas do teu corpinho
E no sal do teu olhar

Que me chega a entristecer
Em dias que te não vejo
Que me deixa toda a arder
De loucura e de desejo

Que na alma me escreve
Com a pena da ternura
Em mim semeia ao de leve
Sementes de diabrura

Que me faz sentir sereia
Mesmo sem água nem espuma
Que nem conhece a bruma
Nem beija a lua cheia

Que mar é este, que agora
Não mais me deixa dormir
Me faz navegar borda fora
Até ao romper d'aurora
Nas ondas do teu sentir

rosa - branca

http://www.luso-poemas.net/

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



publicado por mokala às 18:47
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Quarta-feira, 18 de Abril de 2012
Maria sem vergonha - A minha flor

 

A minha flor

 

 

Fui encontrá-la de novo na Carrusca e já nem me lembrava do nome dela...

 

Foi esta flor os encantos da menina que roía as unhas.As suas pétalas serviam para por uma em cada unha roída.

Assim  ficavam grandes e "pintadas" de rosa choque.

 

Sabia que esta planta era aproveitada para fazer chás que curavam certas doenças.

Ver aqui
 http://pt.wikipedia.org/wiki/Catharanthus_roseus

 

Afinal a minha flor era também uma Maria sem vergonha talvez porque gosta da luz direta do Sol e do calor.

 

Aqui está ela a Maria sem vergonha ou Catharanthus roseus.A vinca de Madagáscar ou vinca de gato.

 

 

 

 

 Catharanthus roseus

 

 
 
 
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

Cecília Meireles

 



publicado por mokala às 01:40
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Terça-feira, 17 de Abril de 2012
Até amanhã
 
Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã

sinto-me:

publicado por mokala às 23:08
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Segunda-feira, 9 de Abril de 2012
Ó minha Ilha de Moçambique
 
Ó Oriente surgido do mar
Ó minha Ilha de Moçambique
Perfume solto no oceano
Como se fosse em pleno ar




Alberto de Lacerda


publicado por mokala às 22:03
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Sexta-feira, 10 de Fevereiro de 2012
Nacala

 

NACALA

Ali, que Deus gigante e luminoso
salpicou de estrelas a baía?
Ali, onde buscava o meu repouso,
no mar bebendo o sonho e a fantasia!

Dos cantos ao luar, do sol radioso,
do bruhaha do cais, da maresia,
guardo no peito amargo e desditoso
esta minha sofrida nostalgia.

Vindas de lendas antigas e singelas,
nas nuvens, nos vapores, transmudadas
eu via rutilantes caravelas.

Que eu sabia de moiras encantadas
e sabia o segredo das estrelas
nas águas da baía semeadas.

 

Abdul Cadre



publicado por mokala às 16:43
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Cheiro de mato
 
Que cheirinho bom!!!!
 
Cheiro de mato


Cheiro de mato
Ar puro
Límpido

Lugar aquele
Aquele que faz a alma sair do corpo
Aquele que faz sorrir como criança
Aquele que faz saudar a natureza
Aquele que faz sonhar infinidades
Aquele que faz ser, somente ser cheiro de mato

Dalila Veiga


publicado por mokala às 01:22
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Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012
Na terra vermelha da minha infância
Monapo
 
Na terra vermelha 
da minha infância
encontro as ruínas
do casarão,
o pilão deitado
e o moedor de café
corroído, em pé.
Encontro a seringueira
de multibraços
emborrachados,
abraçando a pequenez
do mundo...

Na terra vermelha
da minha infância
olho enternecido
para a velha paineira
ainda imponente,
soltando nas asas do vento
réstias de painas,
nuvens para o céu.

Na terra vermelha
da minha infância
sento no galho mais alto
do pé de manga...
E ainda sinto
o cheiro do banho,
do sabão de pitanga
escorrendo pelo corpo
da mocinha,
vindo da janela
da miragem ao lado.

Na terra vermelha
da minha infância
planto para sempre
meus pensamentos,
o que complicam
como reflexão...
Planto minha saudade!
E colho de dentro de mim
em qualquer momento
hora ou tempo,
o único alimento
que me mantém vivo...

Edilson José in Luso Poemas


publicado por mokala às 01:19
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Quinta-feira, 20 de Outubro de 2011
mar que eu encontro de encontro a mim

Praia das Chocas . Nampula - Moçambique

 

 

 

 

mar que eu encontro de encontro a mim

 


és o mar que encontro de encontro a mim...

corpo de mar selvagem que cheira a jasmim...

volúvel e solto como a alma em meu ser...

prisioneiro do meu viver...

mar de magia do canto da noite...

mar dos teus olhos, dos meus sonhos a fonte...

mar dos meus sonhos, quimera e cetim...

mar que eu encontro de encontro a mim

 

csantos
Luso Poemas

 

Praia das Chocas - Nampula - Moçambique



publicado por mokala às 22:41
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Terça-feira, 11 de Outubro de 2011
Ainda o Mar...

de Paula Cañellas

 

 

"Hoje de manhã, atravessando o mar vou me perder, vou me encontrar; a cada vento que soprar"

Emicida

 

 

O mar

Quero sentir o grande mar, violento e puro.
Quero sentir o mar nocturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar! Quero viver o mar!

Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.


Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.

Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!



Augusto Frederico Schmidt, O Mar Na Poesia Da América Latina


sinto-me:

publicado por mokala às 00:46
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Nampula

Foto de Paula Cañellas - Acácias em Nampula

NAMPULA

Quem se perturbaria se saltassem
chispas electro-mágicas dos dedos,
dos olhos, dos cabelos e abalassem
as casas confortáveis e os penedos?

E se as acácias rubras desvendassem
de repente os seus místicos segredos
de fogo e de verdura e os lançassem
como setas certeiras contra os medos?

Quem se perturbaria no momento
da verdade e do grito? Quem diria:
isto é um grito, não é um lamento?

Quem, com a verdade em punho, brandiria
o grito como quem comanda o vento,
ousando anunciar o novo dia?

 

Abdul Cadre

 



publicado por mokala às 00:31
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