Sábado, 14 de Novembro de 2009
Não sei porque sinto saudades!!!!!!!!!!!!!!!
Mokala ou Lhali

Mokala amigas e amigos!

Eis a razão que leva uma pessoa a atravessar oceanos e continentes:saudar...

Saudar: a expressão ou gesto de cortesia ou de felicitação

Mokala: expressão usada para saudar, no povo Macua

 

Por isso eu digo: Mokala amigas e amigos!

e quanta saudade me vai no mais profundo do meu ser, na minha alma...

Fez hoje um ano que senti Nampula e não sei porque sinto tantas saudades!

 

Obrigada a todos

Mokala

 



publicado por mokala às 02:10
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Doçura

Eram de longe.
Do mar traziam
o que é do mar: doçura
e ardor nos olhos fatigados

 

Eugénio de Andrade

 

Chegada do mar em Nacala

Lindo este momento!



publicado por mokala às 16:01
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Sexta-feira, 16 de Outubro de 2009
Não fora o mar, e eu seria feliz na minha rua...

 

Foto de PaulaCañellas - Praia das Chocas

 

 

Não Fora o Mar!

 

 

Não fora o mar,
e eu seria feliz na minha rua,
neste primeiro andar da minha casa
a ver, de dia, o sol, de noite a lua,
calada, quieta, sem um golpe de asa.

Não fora o mar,
e seriam contados os meus passos,
tantos para viver, para morrer,
tantos os movimentos dos meus braços,
pequena angústia, pequeno prazer.

Não fora o mar,
e os seus sonhos seriam sem violência
como irisadas bolas de sabão,
efémero cristal, branca aparência,
e o resto — pingos de água em minha mão.

Não fora o mar,
e este cruel desejo de aventura
seria vaga música ao sol pôr
nem sequer brasa viva, queimadura,
pouco mais que o perfume duma flor.

Não fora o mar
e o longo apelo, o canto da sereia,
apenas ilusão, miragem,
breve canção, passo breve na areia,
desejo balbuciante de viagem.

Não fora o mar
e, resignada, em vez de olhar os astros
tudo o que é alto, inacessível, fundo,
cimos, castelos, torres, nuvens, mastros,
iria de olhos baixos pelo mundo.

Não fora o mar
e o meu canto seria flor e mel,
asa de borboleta, rouxinol,
e não rude halali, garra cruel,
Águia Real que desafia o sol.

Não fora o mar
e este potro selvagem, sem arção,
crinas ao vento, com arreio,
meu altivo, indomável coração,

Não fora o mar
e comeria à mão,
não fora o mar
e aceitaria o freio.

Fernanda de Castro, in "Trinta e Nove Poemas"

 

Infelizmente na minha rua não tenho o Mar,

mas o sonho de o ver e de nele lançar a minha alma...

A imensidão da alma e do mar não se destinguirão



publicado por mokala às 12:22
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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
A nau da vida

 

Para esta foto da Paulinha um lindo soneto que encontrei

 

"Um dia...eis senão quando...de repente...

a nau da vida aporta...

estamos velhos!"

 

A nau da vida

de Miguel Russowsky

 
 
Sou como nau a navegar no mundo,
parte insignificante  numa frota,
que de esperanças fáceis se abarrota
e.... inexoravelmente vai ao fundo.
 
E  onde o céu nem faz conta  da gaivota
e o  sonho azul já nasce moribundo,
cheios de anseios e de amor fecundo,
vos sois também  levados nesta rota.
 
 As ilusões se vão com remos  largos
 no mar dos anos céleres e amargos,
obedientes à voz dos evangelhos.
 
Um dia...eis senão quando... de repente
os sonhos são cadáveres somente
e a nau  da vida aporta...Estamos velhos!


publicado por mokala às 22:42
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Sábado, 10 de Outubro de 2009
...

ape_with_laptop_md_wht.gif (22414 bytes)

Estou esperando um comentáriozinho, tá?

BFS



publicado por mokala às 09:27
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Quarta-feira, 7 de Outubro de 2009
...É urgente um barco no mar.

 Mais um poema lindíssimo para uma foto não menos linda na baía de Nacala em Novembro de 2008.

Está quase a fazer um ano que nossos olhos descansaram sobre estas águas e este horizonte...não sei se voltarei a ter esta sensação!

Mar límpido e azul durante o dia e de ouro à noite não se encontra em mais lado nenhum!!!! (eu acho)

 

 

 

 

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

de Eugénio de Andrade

 



publicado por mokala às 15:23
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Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
O hibisco

 

Hibiscus and water

 

Beautiful and brief
Is your blooming above
Our late summer leaf . . .

Sudden as descent of
White startled dove
Your wonder was sent . . .

At dawn you were not seen
Now you're splashed on marsh
Where only green has been . . .

Are you butterflies
Immobilized in flight
Drifting from our skies . . .

Frail as paper boat
Are you musical notes
Dropped on creek to float . . .

Are you pastel dreams
And is our colored marsh
Not the grass it seems . . .

Soon you're borne away
Reflected in streams
Of our Piscataway . . .

Beautiful and brief
Is your stay above
The late summer leaf . . .
- A. Ware

 

 

 

hibpnexc.mp3 Contemplem o Hibisco de Nacala, leiam o poema e...porque hoje é o Dia Mundial da Música oiçam este som e encontrarão uns minutinhos de Paz interior.(Fechar o Player do blogue sff)



publicado por mokala às 14:36
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Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
Se me quiseres conhecer

 

De momento não tenho foto disponível para ilustrar este poema de Noémia de Souza.

Achei este poema muito lindo e resolvi postar no blogue.

Gostava imenso de ter um ou outro comentário dos meus estimados leitores e visitantes, não só acerca do poema mas também sobre o blogue em geral.

Assim me sentirei incentivada a continuar,

Fico a aguardar

 

Se me quiseres conhecer,
Estuda com olhos de bem ver
Esse pedaço de pau preto 
Que um desconhecido irmão maconde
De mãos inspiradas
Talhou e trabalhou em terras distantes lá do norte.

 

 

Ah! Essa sou eu:
órbitas vazias no desespero de possuir a vida
boca rasgada em ferida de angustia,
mãos enorme, espalmadas,
erguendo-se em jeito de quem implora e ameaça,
corpo tatuado feridas visíveis e invisíveis
pelos duros chicotes da escravatura…
torturada e magnífica
altiva e mística,
africa da cabeça aos pés,
– Ah, essa sou eu!

Se quiseres compreender-me
Vem debruçar-te sobre a minha alma de africa,
Nos gemidos dos negros no cais
Nos batuques frenéticos do muchopes
Na rebeldia dos machanganas
Na estranha melodia se evolando
Duma canção nativa noite dentro

 

 

E nada mais me perguntes,
Se é que me queres conhecer…
Que não sou mais que um búzio de carne
Onde a revolta de africa congelou
Seu grito inchado de esperança

 

de Noemia de Souza

 

 

 


sinto-me:

publicado por mokala às 01:06
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Terça-feira, 22 de Setembro de 2009
Mar, Mar e tanto Mar
Mar sonoro, mar sem fundo, mar sem fim.
A tua beleza aumenta quando estamos sós
E tão fundo intimamente a tua voz
Segue o mais secreto bailar do meu sonho
Que momentos há em que eu suponho
Seres um milagre criado só para mim


"Sophia de Mello Breyner Andresen"

 

 

Depois de uma pausa para trabalhos de fim de Verão volto ao blogue com saudades deste Mar da Praia das Chocas.

 

 

"As ondas quebravam uma à uma
Eu estava só com a areia e com a espuma
Do mar que cantava só p’ra mim"


Sophia de Mello Breyner Andresen

 



publicado por mokala às 16:24
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Domingo, 6 de Setembro de 2009
Mulher Moçambicana - (Mama ou mamana)

 

Mulher Moçambicana

 

 

Sou chama duma fogueira,

Acendida à beira mar;
Com essência de palmeira,
E pedaços de luar.

Cresci nos contos da esteira,
Como princesa a sonhar;
Que alça a sua bandeira,
Com os dois braços no ar.

Sou mulher moçambicana,
Tecida em negro tear;
Com fios de capulana,
Que ninguém pode quebrar.
Meu seio é terra plana,
Em contínuo germinar;
O gozo de ser mamana,
De dar vida até findar.

Levo à cabeça a canseira,
Do meu povo a caminhar;
Em direcção à fronteira,
Que vence o medo de amar.

Minha dança é feiticeira,
Enfeitiça cada olhar;
Finge-se de prisioneira,
Só p’ra poder cativar.


de João Nascimento (Pe.)
 

Lindo poema este, cheio de significados em cada verso, adorei!



publicado por mokala às 00:44
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