Que mar é este
Que mar é este, que mar
Que me ondula a razão
Faz o meu corpo vibrar
E palpitar o coração
Que mar é este, docinho
Que me deixa a navegar
Nas ondas do teu corpinho
E no sal do teu olhar
Que me chega a entristecer
Em dias que te não vejo
Que me deixa toda a arder
De loucura e de desejo
Que na alma me escreve
Com a pena da ternura
Em mim semeia ao de leve
Sementes de diabrura
Que me faz sentir sereia
Mesmo sem água nem espuma
Que nem conhece a bruma
Nem beija a lua cheia
Que mar é este, que agora
Não mais me deixa dormir
Me faz navegar borda fora
Até ao romper d'aurora
Nas ondas do teu sentir
rosa - branca
http://www.luso-poemas.net/
A minha flor
Fui encontrá-la de novo na Carrusca e já nem me lembrava do nome dela...
Foi esta flor os encantos da menina que roía as unhas.As suas pétalas serviam para por uma em cada unha roída.
Assim ficavam grandes e "pintadas" de rosa choque.
Sabia que esta planta era aproveitada para fazer chás que curavam certas doenças.
Ver aqui
http://pt.wikipedia.org/wiki/Catharanthus_roseus
Afinal a minha flor era também uma Maria sem vergonha talvez porque gosta da luz direta do Sol e do calor.
Aqui está ela a Maria sem vergonha ou Catharanthus roseus.A vinca de Madagáscar ou vinca de gato.
Catharanthus roseus
Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar. Por que
havemos de ser unicamente
humanos, limitados em chorar?
Não encontro caminhos fáceis
de andar. Meu rosto vário
desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.
Cecília Meireles
Até Amanhã
Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.
É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.
É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.
Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.
Eugénio de Andrade, in "Até Amanhã
Ó Oriente surgido do mar
Ó minha Ilha de Moçambique
Perfume solto no oceano
Como se fosse em pleno ar
Alberto de Lacerda

Ali, que Deus gigante e luminoso
salpicou de estrelas a baía?
Ali, onde buscava o meu repouso,
no mar bebendo o sonho e a fantasia!
Dos cantos ao luar, do sol radioso,
do bruhaha do cais, da maresia,
guardo no peito amargo e desditoso
esta minha sofrida nostalgia.
Vindas de lendas antigas e singelas,
nas nuvens, nos vapores, transmudadas
eu via rutilantes caravelas.
Que eu sabia de moiras encantadas
e sabia o segredo das estrelas
nas águas da baía semeadas.
Abdul Cadre
Que cheirinho bom!!!!
Cheiro de mato
Cheiro de mato
Ar puro
Límpido
Lugar aquele
Aquele que faz a alma sair do corpo
Aquele que faz sorrir como criança
Aquele que faz saudar a natureza
Aquele que faz sonhar infinidades
Aquele que faz ser, somente ser cheiro de mato
Dalila Veiga
Monapo
Na terra vermelha
da minha infância
encontro as ruínas
do casarão,
o pilão deitado
e o moedor de café
corroído, em pé.
Encontro a seringueira
de multibraços
emborrachados,
abraçando a pequenez
do mundo...
Na terra vermelha
da minha infância
olho enternecido
para a velha paineira
ainda imponente,
soltando nas asas do vento
réstias de painas,
nuvens para o céu.
Na terra vermelha
da minha infância
sento no galho mais alto
do pé de manga...
E ainda sinto
o cheiro do banho,
do sabão de pitanga
escorrendo pelo corpo
da mocinha,
vindo da janela
da miragem ao lado.
Na terra vermelha
da minha infância
planto para sempre
meus pensamentos,
o que complicam
como reflexão...
Planto minha saudade!
E colho de dentro de mim
em qualquer momento
hora ou tempo,
o único alimento
que me mantém vivo...
Edilson José in Luso Poemas
Praia das Chocas . Nampula - Moçambique
mar que eu encontro de encontro a mim
és o mar que encontro de encontro a mim...
corpo de mar selvagem que cheira a jasmim...
volúvel e solto como a alma em meu ser...
prisioneiro do meu viver...
mar de magia do canto da noite...
mar dos teus olhos, dos meus sonhos a fonte...
mar dos meus sonhos, quimera e cetim...
mar que eu encontro de encontro a mim
csantos
Luso Poemas
Praia das Chocas - Nampula - Moçambique
de Paula Cañellas
"Hoje de manhã, atravessando o mar vou me perder, vou me encontrar; a cada vento que soprar"
Emicida
O mar
Quero sentir o grande mar, violento e puro.
Quero sentir o mar nocturno e enorme.
Quero sentir o silêncio, o áspero silêncio do mar!
Quero sentir o mar! Quero viver o mar!
Quero receber em mim o grande e escuro mar!
Não o mar-caminho, mas o mar-destino,
O mar fim de todas as coisas,
O mar, túmulo fechado para o tempo.
Quero o mar! O mar primitivo e antigo,
O mar virgem, despovoado de imagens e de lendas,
O mar sem náufragos e sem história.
Quero o mar, o mar purificado e eterno,
O mar das horas iniciais, o mar primeiro,
Espelho do Espírito de Deus, rude e terrível!
Augusto Frederico Schmidt, O Mar Na Poesia Da América Latina
Foto de Paula Cañellas - Acácias em Nampula
Quem se perturbaria se saltassem
chispas electro-mágicas dos dedos,
dos olhos, dos cabelos e abalassem
as casas confortáveis e os penedos?
E se as acácias rubras desvendassem
de repente os seus místicos segredos
de fogo e de verdura e os lançassem
como setas certeiras contra os medos?
Quem se perturbaria no momento
da verdade e do grito? Quem diria:
isto é um grito, não é um lamento?
Quem, com a verdade em punho, brandiria
o grito como quem comanda o vento,
ousando anunciar o novo dia?
Abdul Cadre
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